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Reportagem

Demo(N) Fest: o Crossover pulsa no Underground!

Léo Cardoso

Está aí uma iniciativa que deveria ser copiada por todos os produtores de eventos em São Paulo. Antes mesmo de começar, o Demo(N) Fest já dava um show na organização e divulgação do evento. É raro ver uma produtora que além de fazer flyers, divulgação em revistas como a conceituada Roadie Crew, e meter um banner no Whiplash.net, monta um blog apresentando cada uma das bandas participantes e ainda faz entrevistas com seus integrantes. Esse é um fest que tem tudo para se tornar um dos principais de Sampa! Parabéns à Big ID, ao Dan e a Lilla por toda competência e profissionalismo. O underground precisa de mais gente assim!

Nessa noite de sábado (04/09/10), o Seven Beer Music Bar viu a apresentação de 5 bandas que estão entre as melhores do underground nacional: DKR, Madhouser, Red Front, Bandanos e Cursed Slaughter. Todas de muito talento e com um trabalho muito sério.

O fest começou com os caras do DKR, apresentando as músicas do DEMO “What the Fuck is… DKR”. Misturando letras em português e inglês, o som do DKR se mostra influenciado por bandas como Exodus, Black Flag e Bad Brains. Guilherme (vocal), Gabriel (bateria), Marco (baixo) e Paulo (guitarra) fizeram uma apresentação rápida e intensa, digna das melhores bandas do estilo crossover e deu início á destruição da noite.

Na ativa desde 2005, a segunda banda a tocar foi o Madhouser, fazendo aquele Thrash Metal bem 80’s. O bate-cabeça já “comia solto” com o som desses caras, mas a casa veio a baixo mesmo quando eles tocaram “Suicidal Mosh”, principal música de trabalho da banda que faz parte da Demo “Mind your own Business”. Com Júlio Lima (vocal), Marron e Dougão (Guitarras),Rocha Taint (baixo) e Rui Villani (bateria) o Madhouser mostrou a que veio!

Na seqüência foi a vez dos caras do Red Front, banda composta por Léo (vocal) Oscar e Marcelo (guitarras), Marq (baixo) e Bradock (bateria). Apostando alto na presença de palco marcante, o quinteto paulistano baseou sua apresentação em torno das músicas do seu primeiro trabalho, o CD “Memories of War”.

No começo do evento os caras já causaram do lado de fora do Seven Beer  com a Gelatina Red Front (nos sabores cachaça e vodka). No palco não foi diferente. Entre uma música e outra uma garota distribuía gelatina na boca dos HeadBangers e na musica “Killer” os caras lançaram um boneco feito de jornal do fenômeno pop Justin Bieber para galera. Não preciso nem dizer que não sobrou nem um só pedaço.

Depois do Red Front, foi a vez da banda headliner do evento:  Bandanos. Aos primeiros acordes da guitarra de Marcelo Papa e do baixo de Alex, o caos tomou conta do Seven Beer.  As rodas se formaram e a galera enlouqueceu. Cris dava as ordens no vocal e Luciano na bateria ditava o ritmo da destruição promovida pela banda. Com muita força e performance impecável, o Bandanos mostrou porque é uma das principais bandas do underground nacional. No Demo(N) Fest os caras tocaram músicas de seus primeiros trabalhos seu ultimo álbum, “We Crush your Mind…,” alem de divulgar o split com a banda Violator (outra das melhores bandas do Metal Nacional) “Thrash the Tyrants”. Músicas como “Stay Cyco”, “Azul vermelho e branco” e “Indiferença” mostram toda a qualidade do Metal Nacional. Com o bate-cabeça mais insano da noite, o Bandanos mostrou como um show de verdade deve ser.

Para fechar a noite, os caçulas do fest entraram no palco para destruir tudo. Formado em meados de 2009, misturando Thrash e Crossover o Cursed Slaughter vem como mais uma promessa do Metal Nacional. Com Dan Pacheco (vocal), Fernando Milan (Baixo), os irmãos Ricardo Silva (guitarra) e Rodrigo Silva (bateria) fecharam o fest com chave de ouro, divulgando a primeira Demo “Hate Evolution. O Cursed Slaughter fez um ótimo set misturando sons próprios, como a insana “Cursed Slaughter” e “Hell is Here”, com covers variados das grandes bandas do Metal. O ponto alto do show foi quando Dan chamou os vocalistas de todas as bandas participantes do evento para cantar “Caught in a mosh” do Anthrax, foi realmente uma festa e mostrou de fato a união das bandas do circuito underground paulistano.

Mais uma vez fica aqui o pedido para que a Big ID continue apostando nessa iniciativa, pois eu tenho certeza que esse foi um dos melhores fests que a cidade de São Paulo já viu!


Ser Poser ou não ser

Dentro da cultura do Rock lidamos com vários personagens que são figurinhas carimbadas em shows e nos roles, têm os fãs fanáticos, as tietes que acompanham a banda em todos os lugares, os roadies, fiéis escudeiros que sempre ajudam a banda a carregar a aparelhagem, o tiozinho do bar que é sempre brother de todo mundo e os POSERS.

Emo Poser - tem coisa pior?!

Mas o que é ser um poser?  Podemos definir poser como uma pessoa que finge ser algo que ela não é, geralmente, o “poser”, passa a gostar de certos artistas, bandas ou gêneros musicais, no momento em que os mesmos passam a ser popularmente conhecidos.

a galera do Hard Rock sofre...

Considerados como uma praga no mundo do Rock os posers normalmente atacam em estilos mais modernos, seguindo a tendência musical que esta em alta, mas também podem aparecer dentro de estilos mais sólidos como o METAL causando até alguns problemas,nesse caso o poser pode se deparar com outra figura considerada tão ruim quanto, os TRUE, entenda como True aquele Fã fervoroso e que segue de forma religiosa os mandamentos do Metal, como nos conta Dan Pacheco, 23,  vocalista da banda Cursed Slaughter (www.myspace.com/cursedslaughter)Acho que todos tem o direito de ouvir o que gostam, vestir o que querem e fazer o que bem entendem das suas vidas.Mas sou radicalmente contra aqueles caras que acham que só é “Metaleiro” o cara que tem cabelo comprido, que usa jaqueta com patchs… Nada contra o fanatismo por alguma banda, todo mundo que é headbanger tem a sua preferida,mas pô, você chega no rolê, e é descriminado por bobagens, passa por interrogatórios ridículos,sobre a banda a qual você está usando a camiseta entre outras merdas…

Dan Pacheco vocalista do Cursed Slaughter

 

É fato que o publico masculino é mais intolerante com os Posers e acabam fazendo deles motivo de zuação, mas reza a lenda de que é dos posers que elas gostam mais, será que isso é verdade? Para Wendi, 18, fã de Hard Rock a lenda não procede “Ninguém gosta daqueles truezões,… a maioria é metida e escrota. Acham que sabem tudo e acabam sendo irritantes”, partindo para uma segunda opinião encontramos Andréa Martinelli, 21, estudante de jornalismo e fã de Heavy Metal (praticamente o oposto a Wendi), ela também discorda que os posers fazem mais sucesso com o público feminino e vai alem “Os posers só oferecem o visual… As meninas que se interessam por esse tipo de cara geralmente são do mesmo ‘estilinho’, posers. Apenas posam que entendem de música, que conhecem etc. Não me deixo levar apenas pela aparência. É claro que meninos de jaqueta de couro, allstar, camisas de flanela são lindos. Mas pra mim não é apenas vestir uma roupa e parecer algo. O cara tem que gostar e entender do que se trata também.” É parece que as coisas estão ficando difíceis para esses caras.

Sem comentários

 As vezes é difícil diferenciar um poser de um true, talvez o que realmente incomode é o fato de que eles não tem uma identidade própria, tanto um como o outro esquecem que é bom sim ter ídolos mas há um nível saudável nisso ou que copiar alguém não é a maneira exata de se “encaixar”, para Guilhermo, 20, guitarrista da banda Fluido Sonoro(http://www.myspace.com.br/bandafluidosonoro), “são pessoas q querem viver do passado , em cima da imagem de alguém , enfim , não tem opinião própria”, talvez alguns deveriam pensar mais em união dentro da cena do que mostrar aos outros quem sabe e gosta mais de uma determinada banda, “Isso cria uma barreira contra as pessoas que estão querendo conhecer a cena,e acaba trazendo uma má fama para nossa comunidade headbanger. Todo mundo um dia já foi “poser” e todo mundo assim como eu teve sua fase “true”, mas no final o que vale mesmo e curtir e estar junto no rolê, respeitando cada um o gosto do outro.” Completa Dan Pacheco, é galera está hora de parar com bobagens sobre cabelos, bermudas e tênis, afinal o Metal é muito mais que isso.


Metal fora de São Paulo

Por Léo Cardoso

Fãs de Thrash Metal em show no Central Rock Bar na cidade de Santo André

Para alguns o gênero musical co­nhecido por Metal é só barulho, gritaria, guitarras distorcidas e muita gente de cara feia, para seus aprecia­dores podemos dizer que o Metal é quase uma religião, os shows talvez sejam os que mais atraem publico e tudo é cercado por uma aura de devoção e mistério. No Brasil a receita não é diferente, bandas como Me­tallica, Slayer e Megadeth lotam estádios e casas de show do país, e São Paulo é nome certo nas turnês internacionais da maioria das bandas desse estilo.

Bruno Sapienza baixista da banda de Thrash Metal Kanvass

Com isso a produção cultural da cena Metal brasileira se concentra em grande numero na cidade, lugares como a Gale­ria do Rock e as mais de 20 casas de show que abrigam esse estilo fazem com que São Paulo vire um ponto de encontro dos He­adbangers, como são conhecidos os fãs de Metal no mundo todo. Mas de algum tem­po pra cá essa realidade vem mudando, as cidades que ficam ao redor de São Paulo estão cada vez mais investindo nessa cena, bandas novas estão aparecendo, casas de show estão abrindo cada vez mais espaço para elas e de forma tímida o publico vem crescendo, “Não é difícil ver alguém com cabelo comprido e usando uma camiseta de metal nas cidades de São Bernardo, Santo André e São Caetano, o que precisamos é de união e que as casas de shows coope­rem com a causa” conta Bruno Sapienza, 20 anos, baixista da banda de Thrash Metal Kanvass de São Bernardo.

Daniel Gongora baterista da banda de Death Metal Megaira

No interior do estado as coisas parecem ficar ainda mais pesadas quando o assunto é Metal, o interesse da maioria das bandas de cidades como São Paulo, São Bernardo e Santo André agora é voltado para esse público, talvez pela distância dos grandes shows e uma freqüência menor de bandas o publico do interior seja considerado mais “carente” e por isso aprecie mais o trabalho das bandas não tão conhecidas, para Daniel Gongora, 20, baterista da banda de Death Metal Megaira, “O grande interesse das bandas hoje é tocar no interior de São Pau­lo, pois é lá onde encontramos um público maior e fiel ao verdadeiro metal”,

já no interior o sonho continua sendo fazer shows na capital, já que o publico é mais diversificado e aberto a novos estilos musicais, “São Paulo é o grande objetivo de todos, por ter maiores adeptos a todos estilos musicais” conta Wesley, guitarrista da banda Vapuh de Rio Claro interior de São Paulo.

Kayser e Billa, donos do Billa Rock Café

Muitas vezes o preconceito com o pu­blico e o som extremo faz com que a mídia e as casas de show torçam o nariz para o estilo, isso obrigava os fãs de regiões mais distantes de São Paulo a ter que ir ate o centro da cidade para assistir a um show, “Há várias casas de show na Grande São Paulo, mais são poucas as que abrem um espaço para bandas independentes de me­tal, por ter um público mais seleto” conta David Oliveira, 22, guitarrista e vocalista banda Slaves, agora com o rivival de estilos mais pesados do Metal, como o Thrash e o Death Metal, nos Estados Unidos a cena começa a dar sintomas de melhora e esse publico que muitas vezes tinha que ir até outra cidade para ver uma banda tocando começa a ganhar espaços de encontro em suas cidades, um exemplo claro é o Billa Rock Café na cidade de Ferraz de Vascon­celos, os donos Adriana Alves Moreira, 26, mais conhecida como Billa e seu marido Cesar Carvalho, 31, o Kayser, sabem bem das dificuldades de se organizar shows fora de São Paulo, “Algumas bandas marcavam shows com a gente mas quando recebiam uma proposta de outra casa mais conhecida do centro de São Paulo cancelavam nosso show para se apresentarem na capital. Infe­lizmente, existem bandas como essas, que acreditam que pagar para tocar em uma casa mais conhecida vale mais que ter um espaço independente totalmente disponível para novas bandas. Por outro lado, há ban­das que sabem reconhecer essas casas, na maioria das vezes bandas com som próprio, justamente porque elas sabem o quanto é difícil ter espaço para mostrar seu trabalho e ser reconhecido por ele…”.

Banda SlaveS

Não há duvidas de que apesar do cres­cimento de popularidade no nosso país o Metal ainda é feito pelas pessoas que amam esse estilo musical, das bandas até os donos de casas de shows passando pelo publico, todos tem uma enorme responsabilidade de manter firme a bandeira do Metal Na­cional, nas palavras de Bruno Sapienza “A cena é muito forte no Brasil e muitos pre­cisam abrir os olhos para o metal nacional, temos excelentes bandas com as mais di­versas propostas de som, as pessoas só pre­cisam se conscientizar que sim! Tem muita coisa boa aqui!”.